Roteiro gastronômico: o que comer em Busan, Jeonju, Jeju e Andong
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Cultura

Roteiro gastronômico: o que comer em Busan, Jeonju, Jeju e Andong

Do milmyeon de Busan ao porco preto de Jeju: os pratos regionais coreanos que raramente aparecem nos roteiros de primeira viagem.

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Roteiro gastronômico: o que comer em Busan, Jeonju, Jeju e Andong
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Todo roteiro de viagem pela Coreia do Sul tende a se concentrar em Seul — e com razão, é onde está a maior concentração de agências, estúdios e locações de drama. Mas quem sai da capital descobre que boa parte da identidade regional coreana está no prato, não no roteiro turístico oficial. Cada cidade grande tem uma especialidade que raramente aparece fora dela — e ir atrás desses pratos é uma forma de itinerário paralelo, menos óbvia do que os pontos turísticos de sempre.

Busan: a cidade que reinventou o macarrão frio

Busan é a prova mais clara de como a história recente da Coreia reformula a comida regional. O Milmyeon, macarrão frio de farinha de trigo, foi criado por refugiados da Guerra da Coreia que, sem acesso ao trigo-sarraceno do naengmyeon tradicional de Pyongyang, improvisaram uma versão com o que tinham disponível. Hoje restaurantes tradicionais da cidade disputam qual é a receita “original” do pós-guerra — uma rivalidade que virou atração em si. Busan também tem acesso direto ao melhor maeuntang e haemul-tang do país, graças ao porto de pesca de Jagalchi, um dos maiores mercados de frutos do mar da Ásia.

Milmyeon
Foto: Mobius6 — CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Jeonju e Namwon: a capital gastronômica não oficial

A província de Jeolla — e Jeonju em especial — é tratada por muitos coreanos como a capital gastronômica do país, o lugar onde o hansik tradicional é levado mais a sério. Não é acaso que Namwon, cidade vizinha, seja considerada a capital histórica do chueotang (sopa de enguia-de-lama), com dinastias familiares de restaurantes dedicados só a esse prato. A região também é onde o haejang-guk — a sopa de ressaca coreana — atinge sua versão mais respeitada, feita com sangue coagulado de boi (seonji), considerada por muitos locais o ponto de partida ideal para conhecer essa tradição.

Chueotang
Foto: Mar del Este — CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Jeju: o porco preto e a ilha das haenyeo

A ilha de Jeju tem uma identidade culinária isolada do resto do país, moldada pela geografia vulcânica e pela cultura das haenyeo — mulheres mergulhadoras reconhecidas pela UNESCO como patrimônio cultural imaterial, que ainda hoje colhem abalone e outros frutos do mar à mão. O Heuk-dwaeji-gui, porco preto local criado em regime mais extensivo que o porco branco industrial, tem carne mais escura e sabor mais concentrado — restaurantes especializados na ilha são parada obrigatória de qualquer roteiro gastronômico por Jeju. Some a isso o jeonbokjuk, mingau de arroz com abalone colhido pelas próprias haenyeo, e fica claro por que a ilha é tratada como destino gastronômico à parte, não só praia e vulcão.

Heuk-dwaeji-gui
Foto: eommina (Pixabay via Commons) — CC0, via Wikimedia Commons

Andong, Masan e Chuncheon: quando uma cidade vira sinônimo de um prato

Algumas cidades médias coreanas são conhecidas quase exclusivamente pelo prato que inventaram. Andong-jjimdak, frango braseado em molho doce de soja, nasceu nos anos 1980 no mercado Andong Guyongwang Jangteo, quando vendedores locais adaptaram a receita para competir com o boom do fried chicken importado dos EUA. Agujjim, peixe-sapo braseado em molho de gochugaru, é especialidade de Masan — um peixe que pescadores locais descartavam por sua aparência, até cozinheiras da região popularizarem o prato nos anos 1960. E Dak-galbi, frango marinado em gochujang, é tão associado a Chuncheon que a cidade tem um distrito inteiro — o Dak-galbi Golmok — dedicado só a esse prato.

Agujjim
Foto: lazy fri13th — CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

Por que vale a pena sair do circuito turístico para comer

Nenhum desses pratos é secreto ou difícil de encontrar — todos estão disponíveis em restaurantes especializados nas próprias cidades, geralmente a preços baixos e sem qualquer cerimônia turística. A diferença é que eles raramente aparecem em roteiros de primeira viagem, concentrados em Seul e nos pontos mais fotografados dos dramas. Para quem já tem o roteiro de Seul e Busan montado ou está calculando quanto custa a viagem, adicionar uma parada gastronômica regional — Jeonju, Andong, ou mesmo só um dia inteiro dedicado à comida de Busan — é uma das formas mais baratas de tornar a viagem mais completa sem aumentar muito o orçamento. Os guias de sopas coreanas, Korean BBQ e macarrões coreanos já publicados no Onda Coreana ajudam a reconhecer esses pratos regionais antes mesmo de pisar no país.


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