The8 chegou ao SEVENTEEN com um currículo de b-boy competitivo que os outros membros da performance unit não tinham — e isso criou uma dinâmica específica: ele é o membro com mais background de dança de rua real, num grupo cuja coreografia é criada por Hoshi com influência de múltiplos estilos. O encontro dessas duas linguagens é parte do que torna a performance unit do SEVENTEEN visualmente distinta.
B-boy de competição e K-Pop idol são formações completamente diferentes — uma vem da rua e da improvisação, a outra vem de treinamento e sincronização. The8 carrega as duas, e isso se vê quando você sabe onde olhar.
— The8 e a dualidade de formação em dança
Da China competitiva de b-boy para a performance unit do SEVENTEEN
The8 (Xu Minghao) é membro da performance unit do SEVENTEEN e o único membro chinês do grupo desde a saída de Jun (que está em hiato desde 2022). O background em b-boy — com participações em competições de dança antes de entrar na Pledis Entertainment — é o elemento mais específico de sua formação em relação a outros membros da performance unit que vieram de treinamento de dança contemporânea.
A carreira paralela na China inclui lançamentos em mandarim, aparições em programas de dança chineses como jurado e conteúdo que circula em plataformas chinesas de streaming com audiências separadas do fandom do SEVENTEEN. Esse modelo de dupla presença — K-Pop internacional com o grupo, mercado doméstico chinês em paralelo — é o que a SM construiu para os membros chineses do NCT e que The8 replicou de forma mais orgânica dentro da estrutura da Pledis/HYBE.
- Nome real
- Xu Minghao
- Grupo
- SEVENTEEN
- Agência
- Pledis Entertainment / HYBE
- Origem
- Anshan, China
- Background
- B-boy competitivo pré-debut
Discografia essencial
Com o SEVENTEEN: Mansae (2015), Clap (2017), Fear (2019), Rock with You (2021 — performance unit). Na China: Falling e outros singles em mandarim que circulam independentemente do calendário do SEVENTEEN. Em performances ao vivo: os solos de b-boy inseridos em setlists de concert são os momentos onde o background de The8 é mais diretamente visível.
Dualidade como identidade
The8 existe em dois contextos simultaneamente: SEVENTEEN para o mercado global de K-Pop, e artista chinês para o mercado doméstico da China. Gerir essa dualidade — sem que um diminua o outro — é um trabalho específico que vai além de simplesmente “ter fanbase em dois países”. Exige coerência de identidade em ambos os contextos.
O sistema de autoprodução do SEVENTEEN
Para entender qualquer membro individual do SEVENTEEN, é preciso entender a estrutura que o grupo opera. Lançado pela Pledis Entertainment em 2015, o SEVENTEEN é dividido em três subunidades internas: hip-hop unit (S.Coups, Wonwoo, Mingyu, Vernon), vocal unit (Woozi, Jeonghan, Joshua, DK, Seungkwan) e performance unit (Hoshi, Jun, The8, Dino). Cada subunidade tem responsabilidades criativas distintas dentro das faixas do grupo — a hip-hop unit normalmente assina os versos de rap, a vocal unit lidera os refrões e momentos melódicos, e a performance unit define a coreografia central.
O que torna essa estrutura incomum no K-Pop é o grau de autonomia criativa real: o SEVENTEEN co-escreve, co-compõe e co-coreografa material desde os primeiros álbuns, papel normalmente reservado a produtores contratados pela agência em outros grupos. Essa divisão de trabalho não é apenas conceitual — está documentada em créditos de álbuns, onde membros como Woozi aparecem repetidamente como compositores e produtores principais, e Hoshi como coreógrafo-chefe.
A jornada desde o pré-debut até a era HYBE
Antes do debut oficial em 2015, o SEVENTEEN passou por um processo de formação documentado em reality show — uma estratégia que a Pledis usou para construir conexão de fã antes mesmo do grupo existir oficialmente. Esse processo incluiu a saída de trainees que não chegaram ao lineup final, uma realidade dura do sistema de formação de grupos que poucos grupos documentam tão abertamente quanto o SEVENTEEN fez.
A trajetória do grupo desde então passou por fases distintas: os primeiros anos de estabelecimento (2015-2017), o período de consolidação como um dos grupos mais consistentes da indústria (2018-2020), e a fase atual sob o guarda-chuva da HYBE, que adquiriu participação na Pledis Entertainment em 2020. Essa mudança trouxe recursos e alcance maiores, mas também gerou debate entre fãs sobre se a autonomia criativa que define o SEVENTEEN seria preservada sob a estrutura corporativa maior da HYBE — uma preocupação que, até o momento, não se confirmou de forma significativa.
CARAT e a base de fãs mais ativa da terceira geração
O fandom do SEVENTEEN, chamado CARAT, é frequentemente citado como um dos mais organizados e dedicados do K-Pop — tanto em volume de streaming e vendas de álbum quanto em projetos coletivos de apoio aos membros, como financiamentos para anúncios de aniversário e campanhas de caridade em nome do grupo. Esse nível de organização não surgiu por acaso: o SEVENTEEN, desde os anos de pré-debut documentados em reality show, construiu uma narrativa de “treze meninos que se tornaram um”, que cultivou conexão emocional profunda antes mesmo do grupo debutar oficialmente.
Esse tipo de vínculo se reflete em métricas comerciais consistentes: o SEVENTEEN tem uma das taxas de vendas de álbum físico mais altas relativamente ao tamanho do fandom em comparação com grupos de popularidade equivalente, o que sugere uma base de consumidores extremamente leal mais do que um pico de popularidade passageiro. Discos como Face the Sun (2022) e FML (2023) venderam volumes que rivalizam com grupos de quarta geração com fanbases nominalmente maiores.
Impacto na indústria e influência em grupos mais novos
O modelo de autoprodução e subunidades do SEVENTEEN influenciou diretamente como outras agências conceberam grupos posteriores. A ideia de dar aos próprios membros responsabilidade criativa real — não apenas simbólica — tornou-se um diferencial de marketing que outros grupos de quarta e quinta geração adotaram parcialmente, ainda que poucos com o mesmo grau de autonomia documentada do SEVENTEEN. Produtores da indústria frequentemente citam o sucesso comercial sustentado do grupo como evidência de que dar voz criativa aos artistas não compromete o apelo comercial — na verdade, pode reforçá-lo ao criar conexão mais autêntica com o público.
2015: o ano mais competitivo para debuts de boy group
O SEVENTEEN debutou em maio de 2015, num dos anos mais competitivos da história recente do K-Pop para lançamentos de boy groups — o mesmo período viu debuts de iKON, MONSTA X e o crescimento acelerado do BTS, que havia debutado dois anos antes. Nesse cenário saturado, a Pledis Entertainment, uma agência de porte médio sem o orçamento de marketing das “big three” da época (SM, YG, JYP), precisou de uma estratégia diferenciada para que o SEVENTEEN se destacasse.
A resposta foi dobrar a aposta na narrativa de autenticidade: mostrar o processo de formação do grupo, incluindo as dificuldades e as saídas de trainees, de forma mais transparente do que a indústria normalmente permitia. Essa abordagem, somada à proposta de autoprodução, criou um nicho de identidade que diferenciou o SEVENTEEN mesmo competindo com grupos de agências com orçamentos muito maiores.
Sustentabilidade de carreira além do pico inicial
Muitos grupos de K-Pop da terceira geração — debutados entre 2012 e 2016 — não sobreviveram além do primeiro contrato de sete anos, seja por dissolução, mudança de formação ou simples desgaste de popularidade. O SEVENTEEN é uma das exceções mais notáveis: quase dez anos depois do debut, o grupo mantém os 13 membros originais ativos, sem mudanças de lineup, e com trajetória comercial ascendente ano após ano — um padrão raro mesmo entre os grupos mais bem-sucedidos da geração.
Dupla carreira: China e Coreia simultaneamente
The8 (Xu Minghao) opera em dois mercados de entretenimento que têm relação cultural e regulatória complexa entre si: a China, onde ele tem carreira individual crescente em cinema e variety, e a Coreia, onde o SEVENTEEN é baseado. Diferente de outros idols chineses que se afastaram completamente do mercado chinês por razões políticas, The8 conseguiu manter presença ativa nos dois lados — um equilíbrio que exige navegação cuidadosa de sensibilidades em ambos os contextos, especialmente em períodos de tensão diplomática entre os dois países.
Essa dupla carreira também se reflete na linguagem: The8 é fluente em mandarim, coreano e inglês, e usa essa fluência para atuar como ponte cultural em conteúdo do SEVENTEEN voltado ao mercado chinês — uma função que poucos outros membros do grupo conseguem cumprir com a mesma naturalidade.
Se você gostou, veja também
Para Hoshi — o coreógrafo que trabalha com The8 na performance unit — veja Hoshi. Para o SEVENTEEN completo, vale o artigo sobre o SEVENTEEN.




