Xiaojun faz parte de uma das experiências mais incomuns do K-Pop moderno: ser membro simultâneo de duas subunidades do NCT — o WayV, baseado na China, e o NCT, conceito guarda-chuva coreano — operando ativamente em dois mercados com expectativas culturais e regulatórias distintas.
Manter carreira ativa simultaneamente em dois mercados que têm relação política e cultural complicada exige um tipo de navegação diplomática que poucos artistas de qualquer indústria precisam fazer rotineiramente.
— O desafio de operar entre China e Coreia para membros do WayV
WayV: o NCT focado no mercado chinês
Xiaojun é vocalista do WayV — a subunidade do NCT formada por membros chineses, criada pela SM Entertainment especificamente para atender o mercado chinês de forma mais direta do que o NCT coreano conseguiria. O WayV lança conteúdo em mandarim, promove primariamente na China e em mercados chineses da diáspora, e opera com calendário e estratégia distintos do NCT 127 ou NCT Dream.
Para Xiaojun, isso significa uma carreira dividida entre identidade NCT (coreana, conceitual, ligada ao guarda-chuva maior) e identidade WayV (chinesa, com promoção e conteúdo voltados especificamente para esse mercado). É um modelo de carreira que poucos artistas de K-Pop enfrentam, e que exige adaptação cultural constante.
- Grupo
- WayV / NCT
- Agência
- Label V (SM Entertainment) / China
- Função
- Vocalista — tenor
- Debut WayV
- 2019
Discografia essencial
Com WayV: Regular (2019), Kick Back (2020), Phantom (2022), Give Me That (2023). A produção do WayV mescla elementos de R&B e pop com letras em mandarim, criando um catálogo distinto sonoramente do resto do universo NCT, voltado a sensibilidades musicais do mercado chinês contemporâneo.
Vocalista técnico num grupo voltado a performance
Dentro do WayV, que tem forte ênfase em dança e apresentação visual, Xiaojun se destaca como um dos vocalistas técnicos mais consistentes — com registro de tenor que permite alcançar notas altas sem perder controle, especialmente em baladas e momentos mais lentos das faixas do grupo. Essa habilidade vocal é frequentemente citada por fãs como o que diferencia Xiaojun dos outros membros focados primariamente em rap ou dança.
Navegando duas indústrias simultaneamente
A posição de Xiaojun entre o WayV (focado na China) e o NCT (conceito coreano) exige que ele esteja atento a sensibilidades regulatórias e culturais de dois mercados que nem sempre estão alinhados. Comentários, aparições públicas e até escolhas de conteúdo precisam ser cuidadosamente calibrados para funcionar nos dois contextos sem gerar controvérsia em nenhum dos lados — um exercício diplomático constante que faz parte invisível do trabalho.
O conceito “Neo Culture Technology” explicado
O NCT é o experimento estrutural mais ambicioso da SM Entertainment desde a fundação da empresa: um grupo concebido para ser “infinito”, sem número fixo de membros, organizado em subunidades que podem ser criadas, expandidas ou reorganizadas conforme a estratégia da agência exige. Lançado em 2016, o conceito incluía originalmente NCT U (formação rotativa por faixa), NCT 127 (baseada em Seoul, focada no mercado coreano e internacional mainstream) e NCT Dream (formação inicialmente baseada em idade, voltada a público mais jovem).
Em 2019, a SM expandiu o conceito com o WayV, subunidade voltada especificamente ao mercado chinês, com membros que promovem majoritariamente em mandarim. Essa estrutura fragmentada é simultaneamente a maior força e a maior fonte de confusão do NCT: permite à SM atender múltiplos mercados e demografias com conteúdo segmentado, mas exige dos fãs um nível de acompanhamento mais complexo do que grupos com formação fixa tradicional.
Crescimento comercial apesar da complexidade estrutural
Apesar da estrutura pouco convencional — ou talvez por causa dela — o NCT se tornou um dos catálogos mais comercialmente bem-sucedidos da SM Entertainment na década de 2020. O NCT 127 alcançou certificações de platina em vendas de álbum e tours por estádios em múltiplos continentes, enquanto o NCT Dream, que migrou de conceito “júnior” para grupo principal por direito próprio, conquistou números de vendas que rivalizam com os grupos mais estabelecidos da terceira geração.
SuperM: o supergrupo de teste para o mercado americano
Em 2019, a SM Entertainment formou o SuperM — um supergrupo reunindo membros de EXO, NCT 127, WayV e SHINee, incluindo Taeyong e Johnny do NCT — especificamente para testar o apetite do mercado norte-americano por um produto de K-Pop “todas as estrelas”. A estreia, que incluiu performance na Casa Branca e abertura na parada Billboard 200, foi tratada pela SM como experimento estratégico de longo prazo: entender o que funciona em mercados ocidentais antes de investir pesado na expansão internacional de subunidades individuais do NCT.
Para os membros do NCT envolvidos, o SuperM representou uma oportunidade rara de performance para audiências que não tinham contexto prévio do conceito NCT — uma introdução “limpa” sem a complexidade estrutural de subunidades e formações rotativas que normalmente exige explicação extensa para novos públicos.
NCT 2020 e 2021: a tentativa de unificação
Periodicamente, a SM lança projetos “NCT 2020” e “NCT 2021” — álbuns que reúnem temporariamente todos os membros ativos das diferentes subunidades em uma única produção, como forma de reafirmar a identidade coletiva do conceito guarda-chuva. Essas reuniões são logisticamente complexas: coordenar agendas de membros que vivem em diferentes países, promovem em diferentes idiomas e têm calendários de subunidade independentes exige um nível de planejamento que poucos outros grupos de K-Pop precisam fazer.
O resultado, quando funciona, são faixas que reúnem estilos vocais e de rap de origens completamente distintas — do mandarim do WayV ao inglês nativo de membros como Johnny — numa única produção que tenta capturar a amplitude do que o conceito NCT representa.
Formação musical prévia e o caminho até a SM
Xiaojun teve formação musical formal antes de ingressar no sistema de trainees da SM Entertainment, incluindo estudo de canto que precede o treinamento típico de idol. Essa base técnica prévia é frequentemente citada como o motivo pelo qual sua voz mantém estabilidade mesmo em apresentações de alta demanda física — uma combinação de dança e canto simultâneos que é central ao conceito de performance do WayV.
O processo de recrutamento de membros chineses para a SM passa por audições específicas realizadas na China e por meio de parcerias com talent agencies locais, parte da estratégia de longo prazo da agência de manter uma pipeline de talento que permita formar subunidades como o WayV sem depender exclusivamente de trainees que passam primeiro pelo sistema coreano completo.
Censura, regulação e os limites de promoção na China
Operar como artista do WayV significa lidar constantemente com as restrições regulatórias do mercado de entretenimento chinês — que vão desde limitações de conteúdo até políticas de tela que restringem quanto tempo idols masculinos podem aparecer em determinados formatos de mídia, parte de campanhas governamentais chinesas contra o que autoridades classificam como estética “excessivamente feminina” em celebridades masculinas. Xiaojun e os outros membros do WayV precisam calibrar constantemente imagem e conteúdo para permanecer dentro dessas margens regulatórias, uma camada extra de gestão de carreira que membros do NCT baseados exclusivamente na Coreia não enfrentam da mesma forma.
O futuro do WayV num mercado em transformação
O mercado de entretenimento chinês passou por transformações regulatórias significativas na década de 2020, com maior escrutínio sobre conteúdo de entretenimento estrangeiro e celebridades associadas a agências internacionais. Para o WayV, isso significa operar num ambiente de incerteza regulatória maior do que quando o grupo foi formado em 2019. Xiaojun e os colegas de subunidade têm navegado esse cenário mantendo baixo perfil político e foco estrito em conteúdo musical e de entretenimento, uma estratégia de sobrevivência comercial que tem permitido ao WayV continuar lançando material e mantendo base de fãs ativa apesar da pressão regulatória crescente.
Discografia do WayV: pop mandarim com produção internacional
A discografia do WayV é produzida com um pé na sensibilidade pop internacional da SM Entertainment e outro nas expectativas específicas do mercado musical chinês — uma combinação que resulta em faixas como Kick Back (2020) e Phantom (2022), que misturam progressões harmônicas e produção eletrônica típicas do K-Pop com letras e cadências vocais adaptadas ao mandarim. Para Xiaojun, cantar nesse formato hibrido exige adaptação técnica constante: a métrica e tonalidade do mandarim funcionam diferente do coreano em termos de encaixe melódico, e parte do trabalho vocal do WayV envolve essa tradução técnica entre os dois sistemas linguísticos aplicados à mesma base de produção musical.
Comparação com outros artistas chineses na indústria coreana
Xiaojun faz parte de uma geração de artistas chineses que ingressaram na indústria de K-Pop coreana antes do agravamento das tensões regulatórias entre os dois mercados na década de 2020. Comparado a colegas chineses de outras agências que saíram completamente do sistema coreano por pressão política ou regulatória, Xiaojun e o WayV representam um modelo alternativo: manter vínculo formal com a agência coreana enquanto desenvolvem identidade de subunidade quase autônoma voltada ao mercado chinês — um equilíbrio que poucos outros artistas chineses de K-Pop conseguiram sustentar com a mesma estabilidade ao longo do tempo.
Se você gostou, veja também
Para o líder do NCT 127, veja Taeyong. Para o membro de Chicago do NCT, veja Johnny. Para o NCT completo, veja o artigo sobre o NCT.




